Ninguém me ajudou.

A vida é o que é, ponto final. Não quero, com esta publicação, lamentar-me nem assumir um papel de vítima, que de facto não tenho de maneira alguma. Quero partilhar um momento da minha vida. Importante, porque faz parte de mim. Sem ele não seria a pessoa que sou hoje, não estaria onde estou hoje e não pensaria da mesma forma que penso hoje. “Hoje”: está entre aspas, mas é uma palavra que me diz muito. Só vivo no agora e só desfruto o que cada segundo me dá. Ontem? Já foi. Amanhã? Será só amanhã.

2013. Foi esta a data em que alguém da minha família passou por uma grave depressão. Se naquele tempo, há 7 anos, já era um assunto que merecia ser tratado com pinças, pois agora ainda mais. O foco aqui não é a pessoa em questão, sou eu. É estranho eu sei. No entanto tem uma razão de ser. Tudo tem um propósito. Pode parecer o maior pesadelo das nossas vidas. Podemos chorar, berrar, gritar, enfiar-nos num quarto e não querer sair de lá, podemos espernear, querer saltar da janela e não ter apetite algum para comer… tudo isso aconteceu comigo, tinha eu 15 anos. Nada me fazia sentido. Era e é uma pessoa demasiado importante na minha vida para estar a passar por aquilo. Sofri muito com a situação. Porque era um menino mimado, porque queria tudo à minha maneira, porque achava que não precisava da família para viver em paz comigo mesmo… enganei-me. E enganei-me tão bem.

Ser o pilar de uma pessoa que quer desistir de viver, porque isso dói lá dentro, no coração, é o desafio mais tenebroso que podemos ter. Somos tudo e, ao mesmo tempo, somos nada. É uma constante aprendizagem, pelo menos para mim foi. E claro que tudo podia ter corrido mal. Usava o meu sorriso e a minha gargalhada para esconder o sofrimento que vivia dentro de casa. Gostava de ir para a escola para fugir daquele ambiente tóxico que me consumia todos os minutos. Não tive ajuda de ninguém, porque sofria em silêncio, pensava que conseguia suportar tudo sozinho. Chorava quando não havia mais ninguém. Não procurei o abrigo de nenhum amigo nem de nenhum profissional de saúde. E aqui repito: podia ter corrido muito mal e não ter conseguido lidar com a situação.

Felizmente, comecei a ver vídeos de psicólogos inspiradores, astrólogos, coaches, comecei a estudar bastante sobre atitudes comportamentais, comecei a ler imenso sobre como ser feliz, sobre como recuperar no meio de uma tempestade… todo este consumo quase diário serviu-me para crescer enquanto pessoa. Ser mais humano comigo e com os outros, ser mais generoso, ser mais sentimental, ser mais carinhoso, ser mais afável…, ou seja, tudo aquilo que sempre fui e que nunca consegui ser porque havia uma capa de diva que me vestia de altivez pura.

Foi a depressão de uma pessoa importante da minha vida um dos meus maiores desafios. Hoje está tudo bem, porque ultrapassámos isso juntos. Podia não estar. Por isso, peçam sempre ajuda e nunca tenham medo de falar, porque amanhã pode não ser só amanhã. Pode ser para sempre.

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