África. Também Minha.

Pensei muito nesta publicação. Se valia a pena. Acima de tudo, queria fazê-la há bastante tempo. Porque falar de África diz-me muito. O meu avô paterno é angolano, os meus tios nasceram lá, o meu pai por pouco também não pisou terras africanas. No entanto, a guerra obrigou os meus avós a virem para Portugal. No caso da minha avó a regressar ao Norte do país. É de lá toda a minha família.

Porém ficou cá sempre, sabem? O bichinho por África, por terras que eu nunca lhes senti o cheiro, mas que quero muito conhecer um dia. Os meus pais sempre se deram muito bem com angolanos e moçambicanos. Continuo ainda a ter muitos amigos africanos e a conhecer muitos outros. É cada vez mais normal. Um dos meus filmes favoritos é o Hotel Ruanda. Um dos estilos de dança de que mais gosto é Kizomba. Nada é por acaso. Agora, claro, vocês perguntam… porquê? Não sei muito bem a razão. É qualquer coisa que me corre nas veias. Sou sensível a todas as formas de música e rituais africanos. Gosto da comida. Gostos das gentes que nos tratam a todos como família mesmo não sendo. Gosto da aura positiva que me transmitem. Gosto das sensações, dos cheiros, das harmonias…

Há uns dias, num daqueles de confinamento ao fim de semana, quis voltar a África. Vi o filme Adú, sem saber ao que ia. Pesado e sensível ao mesmo tempo. Passou pelos Camarões, pelo Senegal e acabou em Marrocos. Foi uma junção de uma história intrinsecamente poderosa com qualquer coisa que voltava a mexer comigo sempre que olhava e via aquelas imagens lindas das savanas, dos animais, das cidades, dos convívios… Claro que não posso mudar o rumo da minha história. Nasci em França, mas podia muito bem ter nascido em terras angolanas se a guerra não impedisse que os meus avós tivessem de fugir naquele ano tão cinzento. Mas fico tão orgulhoso por ter essa costela africana num país que me deu tudo. E falo de Portugal. Tenho todas as nações dentro de mim com um peso brutal daquilo que quero ser e fazer no futuro.

Um dia, e já me prometi a mim mesmo, quero fazer ações humanitárias ligadas a África. Porque me devo isso a mim mesmo. A mim e a todas aquelas pessoas que sinto tão minhas também. Quero ir a Ruanda. Um sítio que me chama a toda a hora. Não me perdoarei se não o fizer. Tenha eu 30 ou 60 anos. Quero passear naquelas savanas e beber daquelas culturas tão fortes. E há mais coisas que quero fazer, mas, essas, guardo para mim. São mais pessoais.

No fundo, tenho a certeza que há, sem dúvida, mais alguém que se identifica comigo. Todos nós já sentimos, em algum momento da vida, um chamamento de um local ou de uma certa região que nunca visitámos, mas que está lá algo a chamar por nós. E o nosso coração bate mais forte sempre que pensamos nisso. No meu caso é África. Toda ela, sem preconceitos. Um dia. Um dia acontecerá.  

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