Choro em silêncio.

O título pode parecer demasiado sensacionalista, não o nego, mas é a minha verdade. Um dos grandes objetivos deste blog, entre outros, é dar-vos a conhecer aquilo que eu sou. Já conhecem muito de mim, mas gostava de levantar um pouco mais a ponta do véu. Chorar. Para muitos um pesadelo, para outros um tabu gigantesco. No meu caso, faço-o as vezes que forem necessárias, no entanto é sempre em silêncio, sozinho e apenas comigo mesmo.

Não somos de ferro e quem o disser é porque vos está a mentir. Nunca sofri de bullying agressivo, apenas umas piadas ou outras entre colegas, o que é perfeitamente normal, nunca tive problemas na escola, nunca andei sozinho por ter falta de amigos, nunca tive problemas em casa que me fizessem não querer regressar a casa ao final do dia… enfim, sou grato pela infância descontraída e vivida que o meio seio familiar e todos os que me rodeavam me proporcionaram. No entanto, choro por outras coisas e um dos meus grandes problemas é chorar mais pelo outro do que por mim. Não que me lamente nem que me sinta culpado de algum ato que tenha feito ou faça, mas porque sou sensível.

Todas as noites antes de me deitar, medito e reflito sobre tudo o que fiz, vi e vivi durante o dia. Ao dia de hoje, posso dizer-vos que olho em volta e vejo um Planeta Terra entregue em vão nas mãos de quem manda desalmadamente, vejo florestas serem destruídas sem piedade, vejo animais morrerem pela mão humana ou por catástrofes que inconscientemente somos nós que as causamos, vejo crianças arrastarem-se à fome nos solos empoeirados dos bairros mais degradantes deste mundo fora, vejo uma sociedade refém de uma inveja desmedida, onde as mulheres são inundadas de críticas porque crescem a pulso firme sem passar por cima de ninguém, vejo hipocrisia, vejo rancor, vejo ódio, vejo imundice… vejo isto tudo e choro… sozinho. Porque ninguém tem de sentir estas dores por mim. São minhas. E perguntam-me vocês… será que vale a pena desmanchar-me por tantos problemas que não consigo resolver? Vale. Não sou ninguém para chegar perto de quem quer que seja e obrigar a seguir uma doutrina de salvação planetária, de todo. Eu faço a minha parte. Mas choro, porque não controlo e porque amo demasiado quem me rodeia… a família, os amigos, a natureza, o mar, os animais, a profissão…

Acima de tudo tem de ser um trabalho de equipa, de todos nós, de cada um… só assim conseguimos aquilo que nunca foi alcançado. Não é de hoje para amanhã, nem será daqui a um ano… é um processo em que cada degrau conta. Não sei quanto tempo levará, mas acredito que esse momento vai chegar, onde finalmente possamos ver alegria na maior parte dos olhares de cada um, onde passamos ver emoção, onde possamos ver talento, onde possamos ver atitudes, onde possamos ver igualdade entre qualquer pessoa e onde possamos ver Amor. Acima de tudo isso, sem medos. Já se vê muito disto tudo, mas não chega, é preciso mais. Não custa dinheiro, não custa trabalho, só custa disponibilidade. E quando finalmente se vir tudo isto a cada esquina por onde passamos, eu tenho a certeza absoluta que vou chegar a casa ao final do dia e vou chorar, mas aí é porque estou mesmo muito feliz!

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