Ser feminista também é coisa de homem.

Não consigo falar de causas sociais assim de ânimo leve. Para mim, cada uma tem uma razão de ser, independentemente das situações ou das pessoas que as sustentam. Cada um de nós tem de ter em si a força e a perseverança de apoiar os seus ideais. Não são necessários seguidores nas redes sociais ou prestígios políticos para nos chegarmos à frente e sentirmos o poder que as nossas palavras podem ter em alguém, nem que seja uma só pessoa. O objetivo está cumprido. Porque ter uma causa é ser-se genuíno.

Ainda há dias estava nas minhas leituras e passei por um livro que falava do testemunho impressionante de Martin Luther King. Um homem sem nada e completamente à deriva no meio do ódio racial que pairava nos Estados Unidos da América. Não que ele não soubesse qual era a sua verdade ou não tomasse atenção ao que o rodeava. A sua inteligência era das coisas mais simples e subtis que algum de nós pode possuir… o dom da palavra. A meu ver, e cada vez mais, tenho a certeza que a comunicação, o olhar nos olhos do outro sem medos e o podermos exprimir aquilo que o nosso coração sente são tudo características de uma pessoa que quer fazer-se ouvir. Todos nós podemos ter essa missão de vida. Porque defender os nossos valores é ter coragem

Desde muito novo que sou sensível ao que tenho à minha volta: os cheiros, os sabores, as cores… é tudo isso que nos faz palpitar por qualquer coisa, seja ela de que natureza for. Tenho muitos momentos sozinho, só eu, onde penso sobre mim e sobre os outros. E é nessas reflexões que vou encontrando as minhas ambições e para onde quero que os objetivos que a vida me coloca me encaminhem. Por isso, o facto de querer seguir comunicação social para o resto da minha vida faz-me ter, ainda mais, consciência de que a minha voz pode e deve ser a voz de muita gente que vive oprimida uma vida inteira, porque não as compreendem. Acrescentando a isso, as plataformas digitais que nos ocupam todos os dias tornam-se maravilhosas ferramentas para proclamarmos o que melhor conhecemos, sem parecermos também demasiado moralistas e politicamente corretos. Porque lutar por aquilo em que acreditamos é ter garra.

Hoje, quando divulguei, na minha conta de Instagram, mais uma série de entrevistas, consciencializei-me que os convidados que queria trazer tinham de continuar a ser jovens inspiradores que lutam por uma qualquer causa e que unem todos os esforços para isso. Sou Homem e, apesar de adorar o corpo onde vivo e toda a minha condição de másculo, sinto que tenho de homenagear as mulheres em todas as fases da minha vida, não porque possa ser forçado, mas porque ser feminista é poder elevar o espírito feminino ao poder masculino desigual que ainda paira por aí. Por outras palavras, ser feminista é poder acreditar e dizer em alto e bom som que todos nós somos iguais e todos temos os mesmos direitos, seja homem ou mulher. Esta, com certeza, que é minha missão: sentir-me no direito de entender e fazer entender que cada voz é A VOZ. E porque defender as mulheres e os homens é ser-se ainda mais humano, e, no meu caso, mais homem.

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