O medo de (in)justiça.

Escolhi este título com um propósito muito claro: escrever o que sinto, nada mais do que isso. Olho à minha volta e revolto-me com cada coisa que vejo e falo essencialmente de humilhações constantes à maneira como nos vestimos, comportamos ou nos exprimimos, seja no nosso dia a dia real ou no nosso quotidiano digital. Não posso ficar calado nem quieto em qualquer uma destas circunstâncias.

Nestes dias temos sido invadidos com notícias minuto a minuto sobre a situação que assola a cidade de Minneapolis. Não me cabe a mim fazer julgamentos do que devia ser feito ou do que, por obra, não está a ser devidamente implementado. A cor da pele, por exemplo, continua, infelizmente, como tema principal das grandes discussões na sociedade. Ainda não conseguimos ultrapassar a forma como olhamos para a diferença física que nos distingue e que só nos torna ainda mais bonitos. Os protestos, entre populares e forças de intervenção, que devastam os Estados Unidos da América continuam a mexer comigo, porque a intolerância racial é ainda uma realidade muito presente na cabeça de muita gente. Não consigo equacionar como é que a cor pode ser o ponto de rutura de uma comunidade inteira, o que até, na verdade, não me espanta uma vez que só o facto de eu gostar de azul e outro alguém gostar de amarelo já gera discórdias, que, descontroladas, acabam quase sempre em discussão.

O respeito que temos uns pelos outros e os limites que se imperam entre nós vão muito mais além do que aparências físicas, passam ainda pela orientação sexual, pela religião, pela cultura ou até por posições políticas. Estes campos são aquilo que nos constroem enquanto pessoas e quem não está à vontade consigo mesmo transborda os níveis da boa educação respeitosa e entra no conflito de ideais à base da humilhação social. Para mim é inadmissível.

Há uma regra que sempre me ensinaram e que faço questão de a aplicar em todas as circunstâncias da minha vida: a justiça. Justiça pelo que ainda não foi feito. Justiça por dar voz a quem não a tem devidamente. Justiça por aqueles que se sentem oprimidos. Justiça por uma sociedade um pouco melhor. Justiça para punir aqueles que odeiam e abençoar aqueles que amam. Enfim, isto é o ciclo da vida, ou deveria ser. Sinto-me mal com aqueles que atiram as fragilidades de quem não tem forças para lutar para o lixo, sem que ninguém faça nada por isso. Chama-se medo de agir. Comigo não resulta. A injustiça tem de ser tratada com a mesma valentia como foi aplicada, sem receios, crua e objetivamente.

No fundo, fico orgulhoso por saber que quando nos unimos por uma causa maior somos um grupo ambulante que transporta fé àqueles que mais precisam e ali vamos nós valentes da nossa única vontade: ajudar e curar. Agora, todos aqueles que se acham superiores a alguém só porque ocupam cargos de poder é realmente lamentável. É por esses que não devemos ter medo de lutar contra.  

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