A primeira vez.

O sexo, regra geral, continua a ser um dos temas mais controversos da sociedade. Só a palavra causa comichão. Quem nunca, em jantares ou outra qualquer refeição, já se sentiu incomodado ao ouvir a palavra Sexo. Ou, ainda, quando no sofá, por exemplo, com amigos, pais ou familiares, surge uma cena mais ousada na televisão e nos contorcemos todos por dentro. É tão orgânico e natural que brota em nós uma repulsa quase instantânea. Falar de sexo é analisar milhentos outros pormenores que nos surgem ao longo da vida, mas, e para começar, quero falar-vos de um dos temas que mais controvérsia gera, se calhar por ser tão banal: A primeira vez.

E agora? Com que idade se começa? O porquê da atividade sexual? Bem, nós, enquanto seres humanos, temos um instinto, pré-definido, de fome, quer para a comida ou bebida, quer para a vontade de nos satisfazermos sexualmente. É orgânico. Acontece porque a lei da vida o permite assim. Em crianças, lá estamos nós no banho ou na sanita a ver o que nos “calhou” na rifa. As típicas palavras, e sem medos, pipi e pilinha. É aqui que começa a descoberta do que somos. A fase de nos avaliarmos a nós mesmos, de olhar para os outros meninos e meninas e vermos o que têm lá… ou os beijinhos na face uns dos outros. Afinal, aí, não há preconceito. É a aventura de querermos mostrar quem somos e de agirmos consoante as nossas próprias convicções, no entanto os nossos pais fazem questão de as destruir em segundos (outros quinhentos). Vamos, depois, crescendo e tudo é novo, os pelos, a voz, a personalidade, tudo se define na adolescência. Já nos tocamos de outra forma. A descoberta é outra, se me entendem. Digo-vos já que não há idade para nada. O que tiver de acontecer acontecerá no momento certo.

Quanto a mim, e porque este é um espaço onde posso falar sem tabus (é essa a minha missão desde o início deste projeto), nunca mostrei verdadeiramente aquilo que sou aos outros. Não era timidez, nem uma obrigatoriedade, era simplesmente porque não calhava. Ainda hoje. Apesar de muito extrovertido, a minha essência guarda-a para os momentos certos. Só para terem noção, ia a uma discoteca e meter-me com uma rapariga era um xadrez de 4 cores (tremia, não tinha confiança em mim mesmo e a minha autoestima era péssima). Todos os namoricos que tive foram porque elas vieram ter comigo e… beijar na boca, meu Deus! Só aos 18 dei o meu primeiro beijo (já por aqui falei disso também). Por isso, o primeiro passo, para mim, e calculo que para muitos, é um desafio que nem todos estamos dispostos a correr. “E se levamos uma chapada?”, “E se se riem na minha cara?”. São os medos a dominarem-nos. Hoje, sei que isso se ultrapassa. Tem mesmo de ser. E garanto-vos que só ultrapassei muitas dessas barreiras aos 19 anos. Foi aí a chamada, e com convicção, a minha primeira vez. E se estão à espera que diga como ela era, o que aconteceu, como foi… não o farei, até porque era do sexo masculino e os detalhes ficarão reservados para mim. Vá, posso levantar o véu… foi um turbilhão. Balbúrdia, essa, que me fez pensar, afinal, o que é isso do contacto sexual. Eu fui com medo, ainda para mais não percebia nada daquilo. Os dois tinham o mesmo material para usar e a logística é sempre muito complicada. E o maior drama? Quem começa. No meio de tanta atribulação, acabamos por estar envolvidos numa história em que o novelo se vai desenrolando à medida que vamos tirando a roupa. Acho que, acima de tudo, a primeira vez é um susto encantado. Queremos ser perfeitos em tudo e no fim acabamos mais rápido que o previsto. E os locais? Sempre tão idílicos, não é? É assim que imaginamos a paisagem… um quarto, um hotel, um sofá… porém, no fim, e sem tempo, acabamos num carro, casa de banho ou uma qualquer discoteca a cair de bêbedos.

Portanto, aquilo que vos posso dizer, e como experiência própria, é que não basta sermos o que não queremos ser, basta agirmos à nossa maneira. Independentemente de quem gostamos, o que importa é o momento vivido. A nossa missão, enquanto jovens, é passar essa mensagem aos mais novos, tal como os pais o fizeram connosco. E, mais do que qualquer aviso, o uso de proteção é o mais importante. De resto, sejam felizes com quem quiserem.

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